Até vendo bem, mas parece que não sobra nada no fim do mês, e agora?!

Não importa o mês, se você vendeu mil reais ou 5 mil reais, ou 10 mil reais. O problema é sempre o mesmo: parece que no final só sobra o suficientes para comprar mais ingredientes e pro seu bolso que é bom não vem nada.


Aí você fica pensando "meu deus mas eu vendi tanto, cadê meu dinheiro???"


Pois é, isso acontece muito, na verdade eu me arriscaria dizer que isso acontece com quase todo mundo, só que muita gente nem se quer se dá conta que está passando por isso, porque não para para fazer as contas direitinho.


Se você conta isso para outra amiga confeiteira ela vai dizer "mas você deve estar precificando errado", e você vai pensar "mas eu fiz do jeitinho que a Lari ensinou, então era para estar sobrando dinheiro". E teoricamente era mesmo.


Acontece que na prática a teoria é outra... Quando precificamos estipulamos que o custo do material fica entre 1/3 e 1/4 (fazendo a precificação x3 ou x4 em cima dos insumos), então teoricamente deveria sobrar dinheiro depois de pagos os insumos, os custos fixos e a mão de obra. Dinheiro suficiente para você tirar uma parte para você (pro labore) ou deixar no seu caixa (lucro). Nem vou entrar aqui no detalhe que se você não separa o dinheiro do seu negócio do seu dinheiro pessoal já está errado, por que esse assunto merece um artigo separado.


Na prática o que é vendido nem sempre representa o que foi estimado que seria vendido.

Então presta atenção por que agora começa a complicar um pouquinho, mas depois que você entender isso nunca mais vai gerir seu negócio do mesmo jeito!


O Custo de Mercadoria Vendida (CMV), real é diferente do teórico. Esse CMV (vou chamar assim daqui para frente), é o valor percentual que representa o gasto com insumos no seu negócio. Quando fazemos uma precificação x3, esse custo é 33%, quando fazemos x4 é 25%. Isso na teoria. Mas como saber se o meu custo REAL está de acordo com meu CUSTO TEÓRICO? Não é difícil:


1 º Anota num caderno, planilha, papel de pão, qualquer lugar, TODAS AS ENTRADAS DE DINHEIRO, e TODAS AS SAÍDAS DE DINHEIRO.

Anota tudo que é INSUMOS, Outros Custos (gás, água, produto de limpeza), Custo de Mão de Obra (ajudante), indicando que cada gasto daquele é de uma dessas categorias.

"Mas Lari você não faz o calculo de quanto de água, de gás e de energia você gasta para produzir uma unidade de determinado produto?"

Não! Minha geladeira é ligada 24 horas, eu produzindo 1 bolo ou 50 bolos. Meu forno gasta o mesmo gás eu assando 1 bolo de cada vez ou 6 bolos de cada vez, as lampadas gastam igual, eu produzindo muito ou pouco. O chão eu lavo do mesmo jeito independente de quantos bolos de pamonha eu vou fazer. O mercado fica à mesma distância eu comprando pouco ou muito no supermercado, a gasolina que gasta é a mesma.

Anota só entradas e saídas de dinheiro.


2º No final do mês você vai fazer a seguinte conta:


Soma de todos os insumos comprados (CMV)

Soma de todos os outros gastos (CUSTO FIXO)

Soma dos gastos com ajudantes/mão de obra (CMO)

Soma de todas as entradas de dinheiro (faturamento).


Aí faz o seguinte: pega Gasto com insumos/Total de entradas e o resultado multiplica por 100.

Vai ter o percentual de custo dos insumos no seu negócio.

Faz a mesma conta com os outros gastos:

Total de outros gastos/faturamento e multiplica por 100. Vai ter o percentual de custo fixo. Se você paga uma ajudante, tem que fazer o que pagou pra ela/Faturamento e multiplica por 100.


Por exemplo:

Vamos supor que você gastou 700 reais em compras em um mês, você tem que escrever separado o que foi insumos do que foi outros produtos, mesmo que venham na mesma compra. Pode passar em duas compras separadas no caixa, ou então contar na notinha depois e anotar separado. Então vamos supor que foram 500 reais de insumo (comida e embalagem) + 200 de produto de limpeza, papel toalha, plástico filme, gasolina, etc. Vamos supor que você teve uma ajudante que te custou 300 reais naquele mês porque veio poucos dias.

E vamos supor que entrou 1500 reais de dinheiro que entrou no caixa. Veja bem, NÃO É O QUANTO VOCÊ VENDEU, É O QUANTO DE DINHEIRO ENTROU NO SEU CAIXA. Seja cartão ou dinheiro físico. Como já diziam os antigos daqui, não dá para contar com o ovo dentro da galinha, FIADO NÃO CONTA.


Como sei se meu negócio está indo bem?!

Pega essa dica meninas que isso aqui é ouro:


Calcule o CMV 500/1500=0,33333*100 = 33%

Calcule o CUSTO FIXO 200/1500= 0,133333*100= 13%

Calcule o CMO 300/ 1500= 0,2*100=20%


E como esses números me dizem se meu negócio vai bem?


Veja: se somar o CMV mais o CMO, da 52%. Essa é uma boa métrica, muito acima disso já vai ser difícil sobrar dinheiro pra você.


O custo fixo em torno de 15% a 20%, no máximo, também é uma boa referência. Com esses números eu diria que seu negócio vai bem. Neste caso ainda sobraria de 30% a 35% do faturamento para você tirar seu prolabore e salvar um lucrozinho.


Agora se, ao invés de 1500 você tivesse faturado 1000, com os mesmos gastos, já seria preocupante. O custo de mercadoria seria 50% o custo fixo em 20% e a mão de obra em 30% não ia te sobrar nada. E é aí que você descobre que tem algo errado no seu negócio!!!


Mas como é possível que eu faço a precificação para ser x3 mas o custo de mercadoria fica em metade do faturamento (seria o equivalente a uma precificação x2 neste caso)?!


Primeiramente vamos eliminar a questão mais obvia: precificação errada. Se você nem fez o cálculo dos insumos já está errado aí, faz esse cálculo direitinho antes de tudo. Mas cálculo de custo também é assunto para outro artigo.


A questão é que nem tudo que é comprado vira mercadoria que é efetivamente vendida.

Resolver não é tão simples, se o problema não é a precificação, então pode ser desperdício, coisas que produz e não vende, é um brigadeiro que sobra, é a raspa das panelas, são pequenos centavos que somados comem seu lucro no fim do mês. Parece besteira mas é preciso entender que esse negócio é um negócio de centavos. É nos centavos que a gente perde e ganha dinheiro.

Comece a observar mais atentamente como você está produzindo. Anota tudo que sobra sem vender. Pode ser cosias que você come, pode ser coisas que cai no chão e joga fora, pode ser produto que estragou. Tudo que te custou dinheiro e não virou mais dinheiro vai sair do seu bolso no final. Só uma confeiteira analisando a fundo seu negócio vai saber identificar o que acontece.


Aí você pode se fazer as seguintes perguntas:


Mas e se eu comprei mercadoria a mais e sobrou um estoque aqui. Então eu acabei investindo para o mês seguinte, não tenho que levar isso em conta?

Tem sim! Você pode descontar o valor de mercadorias que tem em estoque e fazer a soma dos insumos apenas para aquilo que você utilizou.

Acontece que se você fica com um estoque muito grande ou muito tempo parado, ao longo das semanas seguintes você não recupera aquele dinheiro investido, e seu CMV no mês seguinte vai ficar ruim novamente.

Se você não sabe quanto tem em estoque, então considere fazer uma planilha e guardar TODAS AS NOTINHAS DAS SUAS COMPRAS, assim consegue fazer esta conta com mais precisão e não dizer "eu ACHO que tem 200 reais em compras aqui...". Quem acha não sabe!